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quinta-feira, 3 de abril de 2008

Náufrago, ou o que todos nós buscamos


O que pode mover um homem sozinho, perdido e abandonado numa ilha inóspita e quase sem vida após um acidente aéreo? A resposta para o náufrago vivido por Tom Hanks no cinema e para todo ser isolado só pode ser a busca pelo outro. A companhia vital, pela qual anseiam a maioria dos seres humanos, exceto os ermitãos e xuxas da vida.

O filósofo francês Sartre nunca teria afirmado que “o infeno são os outros” se estivesse na pele do náufrago do filme. O vazio e silêncio da ilha desabitada, em que o tempo pára (contraste explosivo com a vida do personagem de Tom antes do acidente, como executivo da Federal Express, serviço de entrega de correspondência super rápido) poderia destruir a sanidade deste Robinson Crusoé moderno, pois não tem a felicidade de um amigo vivo, como Robinson tinha o índio Sexta-Feira.

Poderia, mas a insubstituível necessidade do outro, como a saudade da mulher amada, o fará sobreviver. Essa força ele recebe de seu melhor amigo na ilha: uma bola de vôlei chamada Wilson (um dos pacotes da Fed Express, surgidos junto com destroços do avião). Uma bola com rosto vivo, desenhado com o sangue das mãos feridas de nosso náufrago.

Miseráveis daqueles sem um ombro para se confortar. Como a criança que não se acalma ou dorme sem o aval carinhoso dos pais ou o olhar meigo de seu bicho de pelúcia, o náufrago nomeará o redondo Wilson como amigo e confidente para todas as coisas.

Que homem ou mulher não precisa ser um dia resgatado por mãos corajosas, para se libertar, reencontrar a verdade, um caminho, ou voltar a viver?